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O que os outros mercados emergentes podem aprender com o Peru, que abraçou a ideia de reciclagem?

A maior conscientização sobre a reciclagem em mercados emergentes pode ter um efeito significativo na sua adoção, conforme ilustrado pelas iniciativas do Peru.

27 setembro 2016

Escavadeira movendo materiais recicláveis

Por Tom Eng, vice-presidente sênior e diretor da TOMRA Sorting Solutions, Recycling                          

O aumento na relevalência da reciclagem no mundo todo nos últimos 100 anos tem sido exponencial e está, agora, firme, nas agendas sociais e do governo de vários países.

No entanto, embora iniciativas e pensamento cultural tenham sido implementados com grande sucesso em regiões como a Europa Ocidental, muito trabalho precisa ser feito para estimular a adoção da reciclagem em mercados relativamente emergentes.

Durante muitos anos, a América do Sul e a Ásia não tinham os sistemas e os processos para estimular e implementar a reciclagem em larga escala, mas isso começou a mudar recentemente, pois os benefícios passaram a ser mais amplamente disseminados e as abordagens iniciais têm produzido resultados tangíveis.

Um modelo é o adotado pelo Peru, um país que apenas 2% das pessoas reciclavam em 2009, resultando em um muitos aterros sanitários que afetam não apenas a atmosfera, mas, também saúde pública.

Legislação de reciclagem

Em 2011, o Ministro de Meio Ambiente do Peru estimou que a geração de resíduos de cada família triplicaria até 2021, caso não fossem tomadas medidas para combater o problema e, portanto, introduziu uma nova lei que regulamentava a coleta de resíduos descartados.

Um novo programa nacional de reciclagem também foi implementada no país, com o objetivo de garantir, inicialmente, que 25% de todo o resíduo fosse reciclado. Foi calculado que poderia haver um impacto quase imediato incentivando a população para reciclar bens relativamente grandes e facilmente identificáveis, como garrafas plásticas, vidro e produtos de metal.

O Plano de Ação Ambiental Nacional do Peru também definiu uma meta ambiciosa de garantir que 100% dos materiais recicláveis estivessesm sendo reutilizados até 2021, o que seria um salto significativo com relação aos 5% que estavam sendo reciclados até 2011, mas indicavam o compromisso do país em abraçar a reciclagem.

Nos anos seguintes, a adoção da reciclagem aumentou significativamente, catalizada pela educação sobre os benefícios da reciclagem e sobre as inciativas contínhas para quebrar estigmas associados à atividade.

Educação fundamental

Tem sido feito um trabalho em nível fundamental para educar as comunidades sobre os benefícios da reciclagem que tem, por sua vez, levado à criação de uma estrutura, como o  Programa de modernização Municipal do Peru, que oferece incentivos econômicos para municípios locais, para melhorar seus processos de reciclagem e separar o lixo.

Os municípios também receberam autonomia sobre a regulamentação da reciclagem, que incluiu ações para educar o público para que vissem as pessoas que pegam material reciclável do lixo como empresários, ao invés de vê-los com maus olhos, o que ainda acontece em outros mercados emergentes.

O lixo separado também está retornando para a economia local, com cerca de 80% desse material sendo processando e permanecendo no país e 20% sendo exportado.

Claro, com uma meta tão ambiciosa, ainda há trabalho a ser feito para que o Peru atinja sua meta de 100% de resíduos recicláveis sendo processados até 2021.

Um desafio importante é a recuperação de pequenos materiais recicláveis que geralmente compõem parte de um item grande e do qual a remoção e a separação podem consumir muito tempo das empresas e dos consumidores ou simplesmente não é algo que eles estejam dispostos a fazer.

Isso cria um cruzamento claro entre a atividade do consumidor e a tecnologia, onde meios inovadores de reconhecer material reciclável e a separação podem ajudar a minimizar a quantidade de material reciclável que está sendo colocado no lixo.

Orientando a jornada do cliente

O trabalho está ocorrendo, portanto, em toda a jornada do cliente, da embalagem ao descarte de resíduos e à educação das pessoas sobre como usar três tipos de lixeiras em suas casas, uma para materiais recicláveis, outra para lixo orgânico e a última para realmente o que é lixo, que então irá para o aterro.

A jornada está longe de ser concluída, com 20 aterros sanitários sendo construídos no Peru em 2015 para dar conta da demanda, mas a proporção de pessoas que reciclam continua a crescer e maior cooperação entre o governo e os municípios continua atacando o problema.

Karla Bolanos, coordenadora nacional do programa de reciclagem do Peru, diz que a atividade e os modelos de reciclagem do Peru devem agir como um exemplo para o resto da América do Sul de que muito pode ser alcançado em curto prazo, se os países se comprometerem a abraçar a reciclagem.

Espera-se que, seguindo o exemplo, a região possa contribuir com a reciclagem global e garantir que os mercados emergentes estejam complementando o trabalho realizado em países em que a disseminação reciclagem seja prevalente.

Depois de trabalhar por vários anos nessa região, a TOMRA tem observado essa tendência de perto e, particularmente, no Peru, onde nossa base de clientes continua a crescer. Entre eles estão importantes participantes de seus segmentos, cujo trabalho é ajudar a fomentar e a gerar a adoção e a educação sobre reciclagem em torno do problema.

A educação ainda é uma das ferramentas mais eficientes para ampliar a reciclagem, particularmente em mercados emergentes através da divulgação dos benefícios e das oportunidades disponíveis, a adoção e a implementação da reciclagem continuarão a crescer.