Portugal muda regras do jogo na reciclagem: arranca sistema nacional de depósito e reembolso
Lisboa, 10 de abril de 2026 – Portugal dá hoje um passo decisivo na forma como olha para as embalagens de bebidas — deixando de as tratar como resíduos para as assumir como recursos com valor.
Arranca oficialmente o sistema nacional de depósito e reembolso (SDR), colocando o país no grupo dos 19 Estados europeus que já adotaram este modelo e tornando-o o primeiro mercado de dimensão relevante no sul da Europa a implementar um sistema desta natureza. Mais do que uma nova medida ambiental, o SDR representa uma mudança estrutural de paradigma: cada garrafa ou lata passa a ter um valor económico associado, incentivando a sua devolução e reintegração no ciclo produtivo.
A partir de agora, os consumidores pagam um depósito de 0,10€ na compra de bebidas em embalagens elegíveis — garrafas de plástico PET e latas metálicas até 3 litros — recuperando esse valor na íntegra quando devolvem as embalagens nos pontos de recolha. As lojas com mais de 400 m² passam a ter de assegurar a recolha, podendo optar por sistemas automáticos ou manuais. Está previsto um período de adaptação de 120 dias para implementação das soluções necessárias.
O SDR de Portugal é um passo transformador rumo a um ambiente mais limpo e a uma economia verdadeiramente circular”, afirma Paulo Borges, diretor da TOMRA Collection Portugal.
Estamos a criar um sistema onde as embalagens deixam de ser descartáveis e passam a fazer parte de um ciclo contínuo de reutilização.”
As soluções de economia circular para embalagens de bebidas estão a passar da ambição política para a realidade operacional. Portugal está pronto para servir de modelo de referência para a região, demonstrando liderança, ambição e determinação para alcançar altas taxas de recolha e reciclagem.
A tecnologia de recolha será assegurada pela TOMRA, empresa com mais de 50 anos de experiência, mais de 91 mil máquinas instaladas globalmente e responsável pela recolha anual de mais de 53 mil milhões de embalagens.
Impacto esperado: mais recolha, menos desperdício
O novo sistema deverá:
- Aumentar significativamente as taxas de recolha
- Melhorar a qualidade dos materiais reciclados
- Reduzir o lixo disperso no espaço público
- Diminuir a dependência de matérias-primas virgens
Em termos práticos, trata-se de fechar o ciclo das embalagens, aproximando Portugal das metas europeias mais exigentes em matéria de reciclagem e sustentabilidade.
O sistema arranca com mais de 2.500 pontos de recolha automática, assegurando cobertura alargada em todo o território, incluindo Açores e Madeira. O SDR será gerido pela SDR Portugal, que coordena a operação e o cumprimento das metas definidas.
O verdadeiro impacto do SDR vai além da tecnologia ou da legislação. Está na criação de um novo hábito coletivo: devolver, reutilizar e valorizar cada embalagem. Portugal entra, assim, numa nova fase — em que reciclar deixa de ser apenas uma opção e passa a ser parte integrante do consumo.
Principais dados do SDR em Portugal